terça-feira, 11 de junho de 2019

O SALTÉRIO E O SEU CONTEXTO LITÚRGICO



Paralelamente ao processo canônico que fez surgir e arranjou os diversos componentes do texto do Saltério, este livro foi o Hinário do Culto judaico de Jerusalém – principalmente no segundo templo. Em todos os momentos o Livro dos Salmos sempre esteve associado ao culto, que lhe serviu de inspiração e momento, e principalmente, além de manual e guia.
Mas não é só o culto formal no Templo que se utilizou dos poemas dos Salmos como forma de sua expressão. Toda a vida de adoração e de fé de judeus e cristãos foi influenciada por este texto. E a igreja cristã, desde o seu início, se utilizou do Saltério como guia de culto e adoração.
Embora estudiosos modernos tenham citado diferentes pontos de partida para os Salmos no contexto litúrgico, muitos parecem concordar com os já clássicos estudos do norueguês Sigmund Mowinckel (escritos em 1962) que afirmava a origem litúrgica do culto e dos salmos em Israel numa Festa da Entronização de Yahweh.
Ora, embora tal festa não esteja descrita ou ordenada explicitamente em parte alguma da tradição do AT, mas a ligação íntima entre os salmos e a liturgia é tida como certa por todos os comentadores.
Ainda o alemão Artur Weiser observa que no Saltério podem ser encontrados numerosos fragmentos da liturgia do culto e alusões a procedimentos cúlticos. E embora essas informações não nos permitam reconstituir nos detalhes a sequência da festa, mas revelam os elementos essenciais da tradição cúltica. O que pode nos indicar que o culto da festa da Aliança deve ser considerado o “contexto vital” (Sitz im Leben) da grande maioria dos salmos e dos seus gêneros literários.
São dos espanhol Luís Alonso Schökel estas palavras com as quais concluo:
Em geral, os salmos não expõem doutrina. Dirigindo-me a Deus, não o faço como mestre. E se ensino algo à assembleia, talvez como dirigente da liturgia, é para que se volte a Deus. Posso, na verdade, refletir em alta voz para proveito dos que me escutam, mas não para instruir a Deus.
... orar a Deus tem sentido e valor. No simples ato de orar, o homem crê fazer algo que vale a pena. Coloca-se num lugar de homem, humilde e nobilíssimo. Humilde, porque tem consciência de ser criatura perante o criador; nobilíssimo, porque se sabe interlocutor do Deus.


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